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“Hands to Discover” e a arte de bem receber!

Hoje assinala-se o Dia Nacional da Língua Gestual. Aproveitamos para recordar a nossa reportagem da secção de Cultura da 16.ª edição da revista digital Plural&Singular, publicada em setembro deste ano, que dá conta do projeto Hands to Discover – Mãos para Descobrir.

Porque fazer turismo é muito mais do que olhar para um monumento e dizer se se gosta ou não… Porque uma experiência turística pode ser muito mais do que uma subida discreta e rápida à Torre dos Clérigos de folheto na mão… Porque fazer turismo também é saber o que representam os azulejos da estação de São Bento ou o que escondem as vielas da Ribeira ou as margens do Douro… Uma equipa de intérpretes de língua gestual está a criar o “Hands to Discover”, projeto dedicado à comunidade surda
 
Texto: Paula Fernandes Teixeira
Fotos: Hugo Manuel Correia/Farol de Ideias 2016

Partindo da convicção de que não basta entregar informação escrita a uma pessoa com deficiência auditiva para que esta tenha uma experiência turística agradável, um grupo de intérpretes de língua gestual decidiu criar o “Hands to Discover”, projeto que tem como objetivo oferecer turismo acessível à comunidade surda. Conforme contou à Plural&Singular Ana Bela Baltazar, que trabalha nesta área há cerca de duas décadas, “existe a ideia pré-definida de que basta entregar a um surdo um folheto para que este acompanhe a visita turística”.

Trata-se de um mito que o “Hands to Discover” se propõe a desconstruir. É que, descreve Ana Bela Baltazar, “a comunidade surda tem grande dificuldade em interpretar e ler” e “a interpretação do português ou do inglês ou francês é feita de forma diferente porque as estruturas gramaticais das línguas gestuais são diferentes das estruturas gramaticais das línguas orais”.

E já que estamos a falar de mitos… Grande parte dos agentes ligados ao turismo e não só apontam de imediato, quando questionados sobre acessibilidades para pessoas com deficiência, as rampas, as casas-de-banho ou os elevadores, esquecendo que uma pessoa surda até pode subir escadas, mas encontra barreiras quando está diante de um guia turístico que conta a história do espaço e do edifício através da voz.

O “Hands to Discover” usa as mãos para comunicar, para descobrir, para passear, viajar, explicar, transmitir… “O nosso grande objetivo é receber, e receber bem, qualquer pessoa independentemente de ouvir ou não, independentemente de falar língua gestual ou não. Devemos ter capacidade de oferecer uma acessibilidade efectiva”, acrescenta Ana Bela Baltazar.

Já existem interessadas. Do Canadá e dos EUA, revela a mentora da ideia, já surgiram perguntas sobre este projeto que inclui uma plataforma ‘online’ que será essencialmente pictórica, simples, e com conteúdos em português, inglês, francês e língua gestual. Nesse canal digital a comunidade surda de todo o mundo poderá encontrar pacotes turísticos (no arranque estarão disponíveis roteiros no Porto e Vila Nova de Gaia) e requisitar os serviços de um intérprete de língua gestual.

Não estão a ser formados, porém, guias turísticos, mas sim intérpretes que podem, quando contactados por um turista surdo, seja por uma semana, um dia ou algumas horas, acompanhar visitas e passeios para traduzir o que o guia está a oralizar.

Tudo está a ser pensado incluindo Língua Gestual Portuguesa e Gestos Internacionais e além do acompanhamento nas visitas, o projeto inclui a sensibilização de funcionários de espaços turísticos e o ensino de alguns gestos simples ou posturas e comportamentos básicos perante uma pessoa surda.

Como? Imagine-se por exemplo o acolhimento a um turista inglês num qualquer museu de uma cidade portuguesa… É frequente ouvir-se um “good morning” ou “good afternoon” [em português ‘bom dia’ e ‘boa tarde’]. Imagina-se, de imediato, que a imagem de que Portugal recebe bem ficará favorecida e confirmada, certo? Então porque não um cumprimento semelhante em língua gestual se diante do rececionista ou da guia está um turista surdo? 

O “Hands to Discover” quer pôr Portugal a receber de facto bem, seja o turista estrangeiro ou natural da cidade vizinha, seja ouvinte ou com incapacidade auditiva.
Ainda sobre os roteiros, Ana Bela Baltazar garante: “Os que são solicitados que não se incluam nos que estão pré-definidos na plataforma, são organizados caso a caso e conforme as preferências e necessidades de cada um”.

O “Hands to Discover” vai partir do Porto mas quer chegar “logo que possível” ao resto do país e para isso os responsável pela ideia já reuniram com o Turismo de Portugal, com hotéis, restaurantes e outros agentes turísticos e pretendem “em breve” apresentar a ideia junto das câmaras municipais.

O projeto destina-se quer a surdos profundos, quer ligeiros, conhecedores da língua gestual ou não, “não constituindo uma barreira para demais utilizadores”, garantem os promotores. LER PEÇA COMPLETA A PARTIR DA PÁGINA 84 DA 16.ª EDIÇÃO DA PLURAL&SINGULAR

 

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