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Jorge Falcato é jurado no concurso internacional de fotografia "A inclusão na diversidade


Jorge Falcato, arquiteto e deputado independente do Bloco de Esquerda, é o jurado convidado para a 5.ª edição do concurso de fotografia “A inclusão na diversidade”, lançado pela Plural&Singular, em parceria com o Centro Português de Fotografia, no Porto.


“Eu gosto muito de fotografia e acho que o concurso, na área da deficiência, é muito importante. Através da fotografia nós podemos dar visibilidade ao que, normalmente, está oculto, fechado em casa. E é bom haver um concurso que traga para a imagem situações de inclusão ou de exclusão porque, normalmente, todas as exclusões também têm um problema de invisibilidade”, refere Jorge Falcato em elogio a esta iniciativa da Plural&Singular.


Sobre a tarefa que tem pela frente considera-a “complicada” e de muita responsabilidade, chegando mesmo a dizer que “é horrível”, remetendo esta opinião para as experiências anteriores que teve como jurado. “Uma pessoa tem que ir selecionando, selecionando, deitando fora… Mas há sempre alguma dúvida, não é? A avaliação é sempre um bocado subjetiva. Nós nunca sabemos realmente se estamos a fazer justiça”, considera.


Uma coisa é certa, não vai faltar rigor na avaliação que se espera de Jorge Falcato e ao seu olhar “amador” junta-se, como tem acontecido em todas as edições, o olhar técnico dos dois especialistas que completam o trio de jurados: Sónia Silva, em representação do Centro Português de Fotografia, nomeada presidente do júri, e o fotojornalista do jornal Público, Paulo Pimenta.


“Eles estão a olhar para as fotografias com outro olhar que não o meu, eu estou mais ao nível do ‘feeling’, do que propriamente na análise técnica, da qualidade, do enquadramento ou o que quer que seja. Embora eu tenha uma formação em arquitetura que poderá ajudar um pouco”, comenta.


Este anúncio “apanha” Jorge Falcato em modo “acamado” a recuperar de uma escara. Os abusos da atividade política e como ativista em tudo o que à deficiência diga respeito obrigaram-no a um intervalo forçado do hemiciclo da Assembleia da República. A ausência foi, naturalmente, notada. Tanto a ausência da voz política, como a física. É o único deputado a utilizar uma cadeira de rodas e foi por isso que, depois de eleito, em 2015, obrigou a uma adaptação deste edifício com o intuito de democratizar o espaço onde se discute a Democracia portuguesa em tempo real.

 

Está paraplégico desde 1978, ano em que foi baleado pela polícia numa manifestação no 10 de junho, no Bairro Alto, em Lisboa. “Eu fiquei paraplégico por ter levado um tiro da polícia quando estava a manifestar-me contra a realização de uma manifestação fascista. Quatro anos depois do 25 de abril era uma afronta haver gente a comemorar o dia da Raça”, lembra.


A extrema direita que se concentrava no Largo Camões, em Lisboa, foi facilmente “engolida” pelas largas centenas de antifascistas que se dirigiram para o local. Os confrontos foram poucos e nada previa o que um dos polícias destacados decidiu fazer: disparar contra os manifestantes antifascistas, causando dois feridos e um morto. José Jorge Morais, um jovem estudante da Faculdade de Medicina morreu ao ser atingido nas costas e, 10 anos depois, o agente da PSP responsável pelos disparos foi absolvido. “Estavam seis polícias no local e a investigação da [Polícia] Judiciária concluiu que tinha sido aquele polícia a atingir-me, aliás ele era o único que tinha uma G3 na mão. O que aconteceu foi que os polícias foram instruídos todos para desdizerem tudo o que tinham dito na fase de investigação”, começa por explicar Jorge Falcato. “O julgamento foi feito 10 anos depois, nunca pode ser justo em termos de relatos, testemunhas e o juiz quando declarou a inocência do polícia que me tinha atingido disse ‘você vai em liberdade, considerado inocente, embora não seja essa a minha convicção’”, conclui.


A partir daí, o 10 de junho ficou marcado para sempre na vida de Jorge Falcato. Na altura, com uma filha com 13 dias, teve que adiar o papel de pai durante o mês e meio em que esteve internado e nos sete meses de reabilitação que se seguiram no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão. A vida seguiu o seu rumo e, embora trabalhasse, decidiu acabar o curso de arquitetura que tinha interrompido. Antes do incidente foi fundador da União Democrática Popular (UDP) e depois o ativismo político manteve-se. Foi membro do “Que Se Lixe a Troika” e sempre se inclinou para as questões da deficiência. Ganhou destaque com o grupo (D)eficientes Indignados exigindo apoios adequados às pessoas com deficiência e como defensor da filosofia de Vida Independente.


O deputado eleito aos 61 anos pelo círculo eleitoral de Lisboa do Bloco de Esquerda ocupa agora um lugar no Parlamento. É pelas mesmas causas que se tem debatido e sente que tem “mais possibilidade de concretizar coisas”. “A atividade de deputado tem essa parte boa, de oportunidade de concretização de algumas coisas, e tem outra parte má que é a frustração da não concretização de outras. E traz uma enorme ansiedade. Há tanta coisa para fazer, há tantas áreas que é necessário intervir”, refere.


Voltando ao concurso, depois de se candidatar em 2016 com fotografias que registavam os dias passados em recuperação depois de uma operação a uma fístula, Jorge Falcato é agora convidado a analisar as candidaturas enviadas nesta edição de 2018.


Em quatro edições o concurso internacional de fotografia – que celebra o aniversário deste órgão digital e que assinala o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência comemorado a 3 de dezembro - já conta com quase quatro centenas de imagens. Ao certo, candidataram-se 397 fotografias a retratar contextos de inclusão ou exclusão, em resposta ao desafio que é lançado a nível internacional.


Em 2017 realizou-se a 4.ª edição e com ela a certeza que este concurso chegou para ficar e que a internacionalização é já incontornável – metade das candidaturas eram estrangeiras e foram avaliadas pelos dois elementos fixos do júri e por David Rodrigues, professor de Educação Especial e presidente da Pró-Inclusão - Associação Nacional de Docentes de Educação Especial.


O elemento do júri convidado para a 3.ª edição do júri foi o ex-ministro da justiça, atualmente juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Álvaro Laborinho Lúcio. Nas anteriores edições, os jurados convidados foram a engenheira civil Paula Teles que é também professora universitária e presidente do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade (representada por motivos de saúde por Adelino Ribeiro) (2014), e Bento Amaral, um enólogo, professor e atleta de vela adaptada (2015).


Das 61 imagens a concurso na 1.ª edição, avançou-se para as 85 na 2.ª e foram contabilizadas 144 fotografias candidatas na 3.ª edição do “A inclusão na diversidade”. A 4.ª edição recebeu 107 fotografias, grande parte provenientes de candidaturas individuais. Por isso, a Plural&Singular lança um repto a todas as entidades e instituições para participarem e darem a conhecer os projetos que poderão estar por trás das imagens que candidatam. Mais do que ganhar, a ideia é participar e, como forma de premiar todos os que o fazem, A Plural&Singular tem disponível no site TODAS as imagens enviadas nas edições anteriores com a respetiva memória descritiva.

Mais sobre o concurso de fotografia
O concurso de fotografia "A inclusão na diversidade" pretende captar através de uma imagem o verdadeiro sentido de inclusão ou que denuncie a falta dela.


Ao promover esta iniciativa, a Plural&Singular, para além de celebrar o seu aniversário, quer estimular o “olhar atento” por parte das pessoas ao verdadeiro sentido de inclusão e à presença ou ausência dela no meio que as rodeia, assim como, fazer com que reflitam sobre o que é uma sociedade caracterizada pela diversidade.


Desmistificar a deficiência junto das pessoas sem deficiência e combater os atos discriminatórios associados às ‘diferenças’ são outros propósitos importantes deste concurso de fotografia promovido em prol de uma sociedade verdadeiramente inclusiva na diversidade.


Os premiados, além de integrarem a reportagem que se vai escrever na edição de dezembro da revista digital, em que a capa da publicação é ‘cedida’ à fotografia vencedora, vão poder ver os seus trabalhos expostos no Centro Português de Fotografia, no Porto, e receber publicações oferecidas por esta entidade.


Os vencedores do concurso lançado pela Plural&Singular depois de eleitos aguardam pelo anúncio público com o lançamento da 21.ª edição da revista digital durante a manhã do dia 3 de dezembro e numa cerimónia a realizar na parte da tarde que assinala o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e o 6.º aniversário da Plural&Singular.

 

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