Nada sober vós sem vós

Log in
updated 11:19 AM WEST, Jun 28, 2017
Informação:
PARTILHEM: A 17.ª edição da revista digital da Plural&Singular está online e disponível para download. Além dos resultados da 3.ª edição do concurso "A Inclusão na Diversidade", destacamos uma "Grande Entrevista" com Ana Sofia Antunes, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência que faz um balanço de um ano de Governo

Eduardo Jorge avança com ação de protesto pelo direito a uma Vida Independente

São quatro os dias que o ativista Eduardo Jorge promete ficar deitado numa cama, em frente da Assembleia da República numa ação de protesto pelo direito a uma Vida Independente (VI).

De 21 a 24 de maio o ativista diz que ficará “totalmente dependente” dos cuidados do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do Primeiro Ministro, António Costa e do Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva.

“O conceito de Vida Independente foi desconhecido para mim durante anos. A partir do momento que o conheci, prometi a mim mesmo que tudo faria para conseguir a sua implementação em Portugal, mas nos moldes em que me foi dado a conhecer, tal como existe noutros países, e não conforme consta na recente proposta apresentada pelo Governo”, refere Eduardo Jorge no comunicado enviado à Plural&Singular. 

A intenção desta iniciativa é chamar a atenção para as reais necessidades de uma pessoa com deficiência, dependente de terceiros, como a higiene, alimentação, posicionamento na cama, transferência da cama para a cadeira, etc. Eduardo Jorge garante que, se os três governantes não aceitem o pedido de assistência pessoal, ficará abandonado. “Não permitirei que outros realizem tais tarefas”, assegura.

Eduardo Jorge considera que o "Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI)" apresentado pelo atual Governo “pouco tem de Vida Independente”, porque segundo a proposta uma pessoa totalmente dependente de terceiros terá ao seu dispor assistência pessoal nas suas atividades de vida diária, no máximo durante 40 horas semanais, prestada por Centros de Apoio à Vida Independente que possuam o estatuto de IPSS e sejam reconhecidos pelo Instituto Nacional para a Reabilitação. “Todos nós sabemos que oito horas diárias de apoio são insuficientes para libertar as pessoas dependentes de terceiros para realizar a maioria das atividades da vida diária, como é o meu caso”, comenta o ativista. 

Para Eduardo Jorge a filosofia de VI implica que o dinheiro seja atribuído diretamente às pessoas com deficiência e que sejam elas a escolher, no mercado, assistentes pessoais ou empresas, sejam elas privadas ou pertencentes à economia social, que melhor sirvam as respetivas necessidades. “Não se entende a obrigatoriedade deste serviço ser exclusivo das IPSS. Esta obrigação dificulta, ou mesmo impede, a organização das pessoas com deficiência e o controlo destas sobre os serviços que lhes são disponibilizados”, conclui.

 

Plano de cuidados enviado por Eduardo Jorge aos três convidados:

Domingo, dia 21 (a cargo do Presidente da República):

Início da ação: 15h00 (deitar-me, o que implica transferir-me da cadeira de rodas para a cama, tirar-me a roupa e posicionar-me na cama em decúbito lateral direito (deixar-me sobre o lado direito do corpo);

19h00 voltar a posicionar-me na cama, desta vez deixar-me sobre o meu lado esquerdo, lavar-me as mãos, e servir-me o jantar que será um compal e uma sandes queijo;

23h00 realizar-me a higiene íntima e posicionar-me em decúbito ventral (de barriga para baixo) e despejar o saco coletor de urina;

03h00 virar-me mais uma vez, desta vez deixar-me virado para o meu lado direito;

07h00 (fim do apoio*) deixar-me na posição de costas.

*Como não me assistiu durante a manhã, solicitei o apoio do Sr Presidente, também para a manhã do dia 24, último dia.

Segunda-feira, dia 22 (será o dia de depender do Primeiro Ministro):

9h30 como um banho está fora de questão, preciso que me apoie na higiene matinal que consiste em lavar-me a cara, tronco, zonas íntimas e desinfetar o cistocateter que serve de dreno da urina da bexiga, substituir proteção do orifício que leva a sonda até á bexiga, substituir saco coletor de urina, trocar-me a roupa, servir-me o pequeno almoço que será um pacote pequeno de leite simples, e quatro bolachas de água e sal barradas com marmelada e deixar-me posicionado sobre o meu lado esquerdo do corpo;

13h00 lavar-me as mãos, servir-me o almoço que será uma sandes de queijo e um compal, mudar-me de posição, desta vez deixar-me de costas;

17h00 virar-me para o meu lado direito do corpo e dar-me algumas cerejas como lanche;

21h00 realizar-me higiene geral, virar-me para o lado esquerdo, servir-me o jantar que será uma sandes de queijo e um compal;

24h00 virar-me de barriga para baixo, e despejar o saco coletor de urina;

04h00 (última tarefa do dia) virar-me para o lado direito do corpo;

Terça-feira, dia 23 (tarefas a cargo do Ministro Vieira da Silva):

8h00 virar-me de costas, realizar-me a higiene matinal que consiste em lavar-me a cara, tronco, zonas íntimas e desinfetar o cistocateter que serve de dreno da urina e substituir proteção do orifício que leva a sonda até á bexiga, mudar a roupa da cama e do corpo e servir-me o pequeno almoço que será um pacote de leite pequeno e quatro bolachas de água e sal barradas com marmelada e trocar o saco coletor de urina;

12h00 lavar-me as mãos, servir-me o almoço que será uma sandes de queijo e um compal, mudar-me de posição, desta vez virar-me para o lado direito do corpo;

16h00 virar-me para o lado esquerdo e dar-me uma maçã;

20h00 virar-me de costas, fazer-me higiene, servir-me o jantar que será uma sandes de queijo e um compal;

24h00 realizar-me a higiene íntima e posicionar-me de barriga para baixo;

04h00 (último apoio do dia) virar-me para o lado direito e despejar-me a urina.

Quarta-feira, dia 24 (caso o Sr. Presidente aceite, ficará a cargo do Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social):

8h00 na impossibilidade de tomar banho, realizar-me a higiene matinal que consiste em lavar-me a cara, tronco, zonas íntimas e desinfetar o cistocateter que serve de dreno da urina, e substituir proteção do orifício que leva a sonda até á bexiga, vestir-me, servir-me o pequeno almoço que será um pacote de leite pequeno e quatro bolachas de água e sal barradas com marmelada, substituir o saco coletor de urina e transferir-me para a cadeira de rodas, dando por encerrada a ação.

 

Mais sobre as ações de protesto de Eduardo Jorge:

Greve de fome (2013)

Viagem de 180 quilómetros em cadeira de rodas (2014)

Sobre o tema, a Plural&Singular apresenta na 9.ª edição da revista digital o artigo “Uma jornada pela Vida Independente”, uma reportagem que faz o “apanhado” dos 180 quilómetros que Eduardo Jorge percorreu de cadeiras de rodas entre Concavada, em Abrantes, e Lisboa. O Movimento dos (d)Eficientes Indignados e a Associação Portuguesa de Deficientes também falaram sobre este tema que este tetraplégico português colocou na ordem do dia numa ação que arriscou empreender por uma luta que não é só dele, mas de todos os que, como ele, procuram que o Estado faça jus ao artigo 19.º da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que ratificou em 2009.

A 16.ª edição dedica a capa a este tema: E falar de Vida Independente é falar de liberdade de escolha e da possibilidade de se controlar a própria vida, escolher onde ir e com quem e de decidir o estilo de vida que se quer levar. Falar de Vida Independente é falar de direitos humanos e é falar de uma mudança de paradigma. É falar da vida que qualquer pessoa quer ter, incluindo, uma pessoa com deficiência… 

 

 

Deixe um comentário

Bingo sites http://gbetting.co.uk/bingo with sign up bonuses

publicidade

publicidade

Publicidade

23°C

Lisboa

Partly Cloudy

Humidity: 46%

Wind: 22.53 km/h

  • 28 Jun 2017 27°C 16°C
  • 29 Jun 2017 28°C 18°C

Publicidade