Protesto sobre educação especial junta mais de três mil pessoas no Porto
- Escrito por Paula Fernandes Teixeira
- Publicado em Portugal
Mais de três mil pessoas estiveram hoje concentradas à porta das instalações da Segurança Social na rua António Patrício, no Porto, em protesto contra o corte no Subsídio de Educação Especial (SEE).
Estes números são fruto de um cálculo do presidente da Associação Nacional de Empresas de Apoio Especializado (ANEAE), Bruno Carvalho, uma das entidades promotoras do protesto, que somou os manifestantes que se deslocaram “em transporte organizado”, de várias zonas do país, faltando somar os do Grande Porto.
Também a Amigos de Crianças e Jovens com Necessidades de Apoio Especializado (APACJNAE) mobilizou vários manifestantes.
Na origem do protesto está o protocolo de colaboração assinado, a 22 de outubro e 2013, entre o Conselho Diretivo da Segurança Social e a Direção Geral de Estabelecimentos
Segundo a organização este protocolo exclui centenas de crianças com necessidades de apoios especializados.
Bruno Carvalho disse aos jornalistas que o que está a ser pedido ao Governo é que “reconheça o erro” dos cortes noSubsídio de Educação Especial, que podem deixar “milhares de crianças” com deficiência sem apoio para terapias.
“Há crianças que, tendo ficado sem apoios, viram planos terapêuticos que estavam a ser desenvolvidos há meses e anos voltar à estaca zero. Pelo menos para que fique a esperança para estas crianças”, disse Bruno Carvalho.
“Pretendemos que os nossos filhos não fiquem sem terapias. Sem estes apoios, os pais não conseguem pagá-las. Há muitas crianças que estão a precisar de terapias e estão encostadas porque os pais não conseguem”, completou a vice-presidente da APACJNAE, Helena Ferreira.
O protesto prolongou-se durante mais de duas horas e obrigou a cortar o trânsito da rua.
Os manifestantes estavam simbolicamente vestidos de negro com bandeiras e balões pretos.
As palavras de ordem mais ouvidas foram: “Subsídio sim, protocolo não”, “Vocês são uns ladrões” e “O povo unido jamais será vencido”.
Nota por fim para o gesto de um grupo de pais que depositou simbolicamente à porta do edifício um caixão do SEE.
Publicada em 18 mar 2014
