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updated 4:09 PM WEST, Jun 14, 2017
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PARTILHEM: A 17.ª edição da revista digital da Plural&Singular está online e disponível para download. Além dos resultados da 3.ª edição do concurso "A Inclusão na Diversidade", destacamos uma "Grande Entrevista" com Ana Sofia Antunes, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência que faz um balanço de um ano de Governo

Entrevista ao Chefe de Missão aos Jogos Surdolímpicos Samsun 2017

Pedro Mourão, o Chefe de Missão aos Jogos Surdolímpicos Samsun 2017, em entrevista à Plural&Singular, não escondeu a ansiedade que sente com o cargo assumido, mas confessou também o orgulho e a confiança na participação dos atletas portuguesas nesta competição. “Têm potencial para fazerem história e provarem a nível mundial que a sua natureza competitiva é inteiramente justificada pelo mérito”, disse. E vão demonstrá-lo entre 18 e 30 de julho, na Turquia.

 

“Estou ansioso para fazer parte desta luta e estou orgulhoso da dedicação que eles demonstram. Enquanto existe a responsabilidade de garantir que a Missão se traduz num sucesso e que tenha as melhores condições possíveis, existe também a euforia de poder assistir em primeira mão, como português, à realização dos sonhos dos atletas – e esta euforia verifica-se em toda a equipa que serve de suporte aos atletas, bem como em todos os portugueses que têm acompanhado de perto o evento”. Pedro Mourão

 

Plural&Singular (P&S) - Como recebeu a notícia de ser escolhido para Chefe de Missão para os Jogos Surdolímpicos Samsun 2017? 

Pedro Mourão (PM) - Foi uma decisão conjunta da Direção da Liga Portuguesa de Desporto para Surdos (LPDS), da qual faço parte, e deveu-se ao facto de surgirem imprevistos em que o anterior Chefe de Missão ficou impossibilitado de exercer a função, pelo que o próprio pediu para ser substituído. Face a esta situação, a Direção decidiu depositar a sua confiança em mim e acordou unanimemente em nomear-me como o próximo Chefe de Missão.

P&S - É o maior desafio assumido até hoje? 

PM - Inicialmente senti alguns calafrios, porque é o maior desafio que assumi até hoje, e alguma hesitação devido ao calibre do evento e à competência necessária que o cargo exige. No entanto, acredito que os calafrios tenham sido sentidos por qualquer Chefe de Missão quando exerceram esta função pela primeira vez. Não só penso que é o maior desafio bem como creio que será uma das maiores experiências que vou ter na vida, visto que vou acompanhar de perto as realizações e os feitos de cada atleta, para além do esforço investido nos treinos para marcarem posição a nível internacional.

P&S - O que o preocupa? 

PM - Não há muito com que me preocupe porque, após trabalhar com o Comité Paralímpico de Portugal (CPP) pude ver de perto a excelência e a qualidade do trabalho que a entidade coloca na Missão, pelo que posso dizer que estou bem acompanhado. Encontro-me numa situação em que posso confiar nas pessoas com quem trabalho e, neste sentido, só tenho de dar o meu melhor neste desafio. Mais ainda, temos atletas com elevadas hipóteses de provarem, uma vez mais, que estão ao nível dos melhores atletas do Mundo e de lutarem por conquistar um lugar no pódio. Ainda que a minha função seja uma das mais essenciais para o núcleo da equipa portuguesa, penso que também tenho outro privilégio que muitos portugueses gostariam de ter: o de espetador, ou seja, vou presenciar o investimento dos atletas na primeira fila, durante os Jogos, e isto é algo que me põe ansioso. 

P&S - E o que o motiva e lhe dá confiança nesta nova função?

PM - O meu trabalho é permitir que estes atletas tenham as melhores condições possíveis para provarem o seu valor e a ansiedade que daí vem é o que me motiva.

P&S - Já está definida a composição da Missão Portuguesa para os Jogos Surdolímpicos Samsun 2017 e as modalidades em que os atletas portugueses vão participar? 

PM - Se considerarmos a composição da Missão como a de uma célula, eu diria que já está definido o seu núcleo, isto porque já temos como verificadas grande parte das condições para a preparação da mesma, desde os pormenores técnicos aos da viagem e alojamento. Resta-nos apurar o número exato de atletas, adicionalmente aos que estão à data incluídos no Programa de Preparação Surdolímpica, mas este já é um detalhe que está fora do nosso controle porque depende da capacidade de qualquer atleta que queira fazer parte da Missão Surdolímpica, enquanto a seleção ainda está aberta. Os critérios para a inclusão de novos atletas já foram divulgados e agora só o tempo nos dirá quais deles teremos na Missão.

P&S - Que análise faz da capacidade competitiva dos atletas portuguesas em relação aos adversários?

PM - Já temos definida também a participação portuguesa em, pelo menos, cinco modalidades em que temos a presença de atletas que, tendo em conta os seus resultados nacionais bem como internacionais, têm potencial para fazerem história e provarem a nível mundial que a sua natureza competitiva é inteiramente justificada pelo mérito.

P&S - Quais são as expetativas para a prestação portuguesa nos Jogos Surdolímpicos Samsun 2017?

PM - Antes, importa esclarecer que as condições com que os atletas treinam, em comparação com as dos seus adversários, não são as ideais no sentido de que, para além do desporto, têm de conciliar com o estudo ou o trabalho, não podendo dedicar o seu tempo inteiro no desporto da mesma forma que outros atletas fazem. Mas é aqui que podemos ver uma vantagem – destaca-se bem a motivação que os nossos atletas têm pela vitória, é um sonho pelo qual eles lutam, em forma de muitas horas de treino intensivo. Nenhum deles irá marcar uma mera presença de participação, será antes uma presença romântica pela qual, se o objetivo for alcançado, a vitória terá um significado muito maior. É indiscutível que, independentemente dos resultados que tiverem em Samsun, cada um desses atletas será um adversário formidável para os seus oponentes, além de provar que o nosso país consegue estar a par face aos melhores do mundo. Aproveito para dizer, uma vez mais, que estou ansioso para fazer parte desta luta e que estou orgulhoso da dedicação que eles demonstram. Enquanto existe a responsabilidade de garantir que a Missão se traduz num sucesso e que tenha as melhores condições possíveis, existe também a euforia de poder assistir em primeira mão, como português, à realização dos sonhos dos atletas – e esta euforia verifica-se em toda a equipa que serve de suporte aos atletas, bem como em todos os portugueses que têm acompanhado de perto o evento.

P&S - De que forma analisa o passado da prestação portuguesa nos Jogos Surdolímpicos e como antevê o futuro da participação de Portugal nesta competição? 

PM - Se analisarmos o passado, vemos que Portugal participa nos Jogos Surdolímpicos desde 1993, contando com seis participações até à data de hoje. A edição de 1997, Copenhaga, foi a única que não contou com medalhas para o lado português. No total, temos cinco medalhas de ouro, três de prata e três de bronze. Com tais resultados, é irrefutável a força que demonstrámos no desporto em relação ao resto do mundo. Neste campo, Portugal sempre teve muita força e nunca numa só modalidade. Mais ainda, temos jovens atletas com potencial para alcançar os três primeiros lugares, pelo que é seguro dizer que no futuro vamos continuar com a mesma força que temos demonstrado no passado. Acredito que a edição de 2013 em Sofia está longe de ser a última em que se conquistaram medalhas e se obtiveram resultados excelentes. No entanto, ainda que esteja otimista em relação aos Jogos na Turquia, só poderemos verificar a veracidade dessas expetativas durante o evento, mas penso que vamos entrar com o pé direito, como sempre foi hábito nosso.

 

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