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updated 10:57 PM WEST, May 22, 2017
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PARTILHEM: A 17.ª edição da revista digital da Plural&Singular está online e disponível para download. Além dos resultados da 3.ª edição do concurso "A Inclusão na Diversidade", destacamos uma "Grande Entrevista" com Ana Sofia Antunes, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência que faz um balanço de um ano de Governo

As imagens e as histórias do projeto Accept_ability

O Nuno Pereira apresentou publicamente as primeiras três fotografias do projeto Accept_ability ao participar na 3.ª edição do concurso de fotografia “A inclusão na diversidade”, lançado em 2014 pela Plural&Singular, em parceria com o Centro Português de Fotografia (CPF). 

Ao fazê-lo arrecadou o 1.º prémio e tem uma das fotografias em exposição no CPF. Aí, teve o reconhecimento de três pessoas – a técnica do CPF, Sónia Silva, o fotojornalista do Público, Paulo Pimenta e o juiz Álvaro Laborinho Lúcio - mas foi depois de colocar o projeto completo no Facebook que começou a receber o feedback de muitas mais que não ficaram indiferentes à qualidade das imagens e às histórias que elas contam. 

O projecto Accept_ability é um projeto que retrata a aceitação da diferença e, segundo o fotógrafo Nuno Pereira,  está a tomar umas proporções inesperadas: soma quase 1000 gostos e já conta com mais de 500 partilhas e tem vindo a chamar a atenção dos órgãos de comunicação social.

A particularidade deste projeto é que, além de retratar pessoas portadoras de alterações físicas visíveis, também chama a atenção para outras patologias menos evidentes e portanto apresenta imagens de pessoas com autismo, bipolaridade ou depressão. “Essa grande fatia da população que a sociedade ignora por ter um problema implícito”, refere o fotógrafo na apresentação do projeto. À medida que o projeto avançava, mais histórias surgiram e “tornou-se importante mostrar como os participantes encaram o seu Eu”. “Cada um deles teve, em algum ponto da sua vida, de aprender a viver de novo. Por doença ou acidente, viram a sua rotina e imagem alteradas, tendo de completar o mais difícil dos exercícios: aceitar-se a si mesmos”, refere Nuno Pereira. 

As fotografias falam por si, e valem mais que mil palavras, “mas seria injusto omitir as histórias” e ao acrescentar-lhes a dimensão das palavras, ganham a força das pessoas retratadas que “sabem viver com a melhor das companhias - elas próprias”. 

A Plural&Singular decidiu recuperar o excerto da reportagem sobre o concurso de fotografia que fala sobre este projeto. A PEÇA COMPLETA PODE SER LIDA A PARTIR DA PÁGINA 36 DA 17.ª EDIÇÃO DA PLURAL&SINGULAR

A Julieta é a protagonista da fotografia que recebeu o 1.º Prémio do concurso de fotografia. Amputada desde os cinco anos, devido a uma virose mal curada que levou à necrose dos tecidos das pernas e respetiva amputação, na fotografia, ela está sentada na escadaria principal da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Está sem as próteses que lhe permitem descer essas mesmas escadas. “O seu olhar contemplativo sobre as próteses retrata o sentimento existente relativamente a elas: de ódio por não poder dispensá-las, de necessidade por serem a razão que lhe permite locomover-se”, pode ler-se na memória descritiva da fotografia vencedora.

Mas embora a fotografia retrate a dependência que Julieta tem desses apêndices ortopédicos, quer, ao mesmo tempo, fazer pensar na dificuldade que teria em subir ou descer as escadas se não os usasse. “Sem as próteses, a Julieta não chegaria aonde chega”, refere a descrição da foto. E chegou longe, não desistiu, tem 30 anos, é médica e casou em julho deste ano. É feliz. 

Nuno Pereira é fotógrafo profissional e o autor desta fotografia. Diz que a imagem também pretende provocar uma reflexão sobre “as acessibilidades deste país (ou falta delas)” e sobre “a luta que cada pessoa com deficiência trava para vencer os obstáculos”. 

Para Nuno Pereira esta distinção representa uma oportunidade “de chamar a atenção para os problemas que os portadores de deficiência têm”. “E a nível pessoal é uma satisfação ver que alguém deu valor ao meu trabalho”, completa.

Nuno Pereira já tinha realizado um trabalho nesta área com paraplégicos e tetraplégicos, mas na hora de decidir que imagens enviar para o concurso de fotografia optou por este projeto mais recente por, nestes últimos anos, se ter “aprimorado” como fotógrafo, enquanto profissional numa faculdade de arte e design. “Os arquitetos e professores das belas artes à minha volta obrigaram-me a andar da perna e a envolver-me muito com a fotografia, a ler muito, aprender muito e a praticar muito. Portanto eu olhando para trás, para aquele projeto que fiz em 2009 digo que faria tudo de forma diferente e faria da maneira que fiz este: com mais qualidade a nível fotográfico, com outra visão e depois para não repetir o tema, tive a ideia de incluir pessoas que ninguém diz que tem algum tipo de limitação, mas que eu acho que têm”, explica. Refere-se a pessoas deprimidas, pessoas com doenças mentais, pessoas obesas. Quis desenvolver um projeto que englobasse todas estas questões, ainda está em curso, mas no âmbito dele vão resultar um conjunto de 10 ou 12 fotografias. 

Tem 42 anos e é fotógrafo profissional. Vive da fotografia desde que, em 2002, “foi agraciado” por uma doença que se chama síndrome de Síndrome de Guillain–Barré. “É tal e qual igual à Esclerose Múltipla com a única diferença de que a Esclerose Múltipla vai piorando ao longo da vida e a minha doença paralisa completamente a pessoa em dois, três dias, mas tem um lado bom que é a pessoa pode recuperar”, esclarece Nuno Pereira.

Podem ficar sequelas e a recuperação é muito lenta: “A doença é muito rara, dá em média em uma a cada cem mil pessoas e só em 5% das pessoas é que a crise se repete e eu novamente voltei a ser agraciado com a doença: tive a primeira vez em 2002 e passados 10 anos, em 2012, voltei a ter. O ataque não foi tão forte, só tive seis meses no hospital porque da primeira vez estive dois anos. Eu fiquei com uma incapacidade de 80%. Tenho os pés paralisados e a cara um bocadinho paralisada”, descreve o fotógrafo vencedor.

Conseguiu libertar-se da cadeira de rodas e utiliza talos de massa em ambos os pés porque não “funcionam bem”, além do mais, tem falta de equilíbrio, apesar de conseguir andar bem sem muletas e sem bengala.  A PEÇA COMPLETA PODE SER LIDA A PARTIR DA PÁGINA 36 DA 17.ª EDIÇÃO DA PLURAL&SINGULAR

 

 

 

 

 

 

Galeria de Imagens

Click to enlarge image _A bipolaridade_1084.jpg

Os portadores de bipolaridade têm como principal característica as variações repentinas de humor. Afectando uma larga fatia da população ( cerca de 1% ), a bipolaridade surge neste projecto como representação das várias doenças do foro psicológico que assolam a sociedade moderna. As limitações das pessoas com distúrbios mentais são por vezes maiores do que as dum deficiente físico: isolamento, faltas ao trabalho frequentes, menos participação na sociedade. A Ana, estudante de enfermagem, não tem bipolaridade, mas teve um professor no secundário que sim. Com variações de humor radicais e um comportamento inconstante, este professor marcou a vida dos seus alunos, ano após ano, até ao dia que decidiu pedir baixa. E a Ana nunca mais se esqueceu dele. Com essa pessoa na memória e uma sensibilidade particular no trato dos doentes com quem lida, prontamente se dispôs a dar a cara no projecto na representação deste tema.

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