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“Dormir sob uma pedra”: arrojar para obrigar a refletir

Estreia hoje, sexta-feira, dia 8 de julho, o “Dormir sob uma pedra”, espetáculo com selo de qualidade da companhia “Era uma vez... Teatro” da Associação do Porto de Paralisia Cerebral… Com um texto arrojado, o objetivo é fazer o público pensar sobre os direitos das várias minorias…

O texto, que teve como ponto de partida “Um parceiro ideal” de Oscar Wilde, é uma análise sobre a raiva, o amor, a sexualidade e a igualdade de género que transporta o público para um universo de caos afetivo.

Coube à encenadora Mónica Cunha a tarefa de “coser” todas as visões e perspetivas sobre a vida e o mundo depois de todos os elementos do grupo terem dado o seu contributo…

O resultado é uma peça que com a participação especial de Fuse dos Dealema e que “obriga” o espetador a pensar sobre si e sobre tudo… 

“Hoje em dia não há tempo para pensar. Agora é tudo muito rápido e quem não for rápido fica pelo caminho. Nós queremos e vamos pôr toda a gente a pensar”, disseram à Plural&Singular os vários elementos de um elenco que integra pessoas com e sem deficiência.

Na sinopse da peça lê-se que “a construção do espetáculo foi, por parte do coletivo, um processo de aprendizagem sobre o outro”. Já “o trabalho individual das personagens desmontou as aparências, criou ilusões e frustrações, gerou muitos sorrisos e tristezas, e levantou muitas questões”.

E são essas questões que a companhia “Era uma vez… Teatro”, premiada internacionalmente com galardões ligados à Inclusão Social na Arte, quer despertar no público que poderá assistir ao “Dormir sob uma pedra” hoje pelas 21h45 no auditório Horácio Marçal, na Junta de Freguesia de Paranhos, no Porto.

A certa altura, numa peça que tem cerca de 50 minutos, um dos personagens diz repetidamente “Todos nós temos direitos iguais”. Entretanto já se ouviu falar de tarefas domésticas e de homossexualidade, da raça e de fossos salariais entre homens e mulheres ou de diferenças no acesso a cargos políticos.

E quer se queira quer não a deficiência está lá, ainda que só se ouça falar dela um bocadinho no fim. Mas as cadeiras de rodas estão em cena, num palco “vestido” com figurinos cedidos pelo Teatro Nacional S. João.

“A peça fala de minorias e este é também um alerta. Só falamos no final da deficiência mas ela está presente sempre. Esta também é uma forma do público refletir sobre isso. De o convidarmos a refletir sobre a deficiência, os direitos”, disse Mónica Cunha.

“Há muita diferença e a diferença pode ser uma forma de fazer arte. Não precisa de ser tudo estandardizado. A perfeição não existe. Somos todos nós que completamos a perfeição”, acrescentaram os atores.

O “Dormir sob uma pedra” será reposto na Fundação Escultor José Rodrigues em outubro e o grupo aponta a possibilidade de realizar uma itinerância com este espetáculo por todo o país: “Estamos abertos a convites”, apontaram.

A propósito recordamos peça publicada na nossa 14.ª revista digital trimestral com o título “O gosto especial de fazer a magia do teatro acontecer…” que tem início na página 66. Para ler clique AQUI

FOTOS: APPC (ensaio de imprensa / quinta-feira, 7 de julho)

 

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