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updated 4:09 PM WEST, Jun 14, 2017
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PARTILHEM: A 17.ª edição da revista digital da Plural&Singular está online e disponível para download. Além dos resultados da 3.ª edição do concurso "A Inclusão na Diversidade", destacamos uma "Grande Entrevista" com Ana Sofia Antunes, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência que faz um balanço de um ano de Governo

PERFIL: Mário Trindade – o atleta missão!

No dia em que a comitiva lusa parte para o Brasil para participar nos Jogos Paralímpicos, a Plural&Singular recorda o “Perfil” (rubrica que integra a nossa secção de Desporto da revista digital trimestral) publicado em março de 2015 sobre Mário Trindade – o atleta Missão que integra a comitiva lusa rumo a Rio2016*

Diz que “nasceu duas vezes” e que “se pudesse” passava “24 horas em cima de uma cadeira de rodas, 365 dias por ano a dar voltas a uma pista”. Mário Trindade fez do desporto profissão e sentido de vida. Corre por gosto, corre por vocação, corre por Portugal, corre por causas! [peça com dados anteriores a março de 2015]

Texto: Paula Fernandes Teixeira
Fotos: Gentilmente cedidas

“Há quem calce umas sapatilhas Adidas… Eu calço umas sapatilhas que têm duas rodas…” – as palavras são de Mário Trindade, praticante de atletismo em cadeira de rodas.

Recordista nacional de 100 e 200 metros na classe T53, Mário Trindade, de 39 anos, desloca-se em cadeira de rodas desde os 18, após uma operação mal sucedida.

“Tornei a ser bebé. Aos 18 anos tive de aprender a fazer tudo: comer, beber, sentar-me”, contou à Plural&Singular.

Na infância, o atleta natural de Vila Real praticou atletismo e adorava andar de bicicleta, mas a primeira experiência no desporto adaptado foi o basquetebol em cadeira de rodas… Algo que nem acreditava que existisse, habituado a ver só “homens enormes a lançar para cestos altos” a praticar esta modalidade. Aos 22 anos, quando desafiaram a driblar a partir de uma cadeira de rodas pensou que se tratava de uma brincadeira… Acabou por jogar basquetebol durante dez anos, tendo sido chamado à seleção nacional nos dois últimos.

“Gostei muito, recomendo o basquetebol, mas era de correr que gostava. O bichinho do atletismo estava lá… Só que, em sentido semelhante ao meu desconhecimento sobre o basquetebol, achava que para correr tinha de ser com as duas pernas”, contou. LER PEÇA COMPLETA A PARTIR DA PÁGINA 70 DA 10.ª EDIÇÃO DA PLURAL&SINGULAR


Mário Trindade ‘em direto’

Plural&Singular (P&S) – A ida a Fátima em cadeira de rodas foi em 2008. Também era objetivo alertar para as barreiras de acessibilidade que as pessoas com deficiência encontram nos passeios, na via pública… E hoje, sete anos depois, como analisa o panorama atual?        
Mário Trindade (MT) – Nota-se que todas as cidades têm vindo a tentar melhorar mas têm melhorado muito lentamente. Viseu é uma cidade bastante acessível. Ainda não é totalmente mas das cidades que conheço é a mais acessível. Como ando pelo país todo, noto muitos esforços, mas esforços lentos. Ainda existem muitas barreiras arquitetónicas. É uma luta porque não é fácil pelos custos que a acessibilidade acarreta. Mas pelo menos que as atividades que faço, e outras pessoas com deficiência também, sirvam para que as coisas que são feitas de novo já sejam erguidas sem barreiras.

P&S – Como descreve a primeira prova internacional? Foi em Espanha (2003), a meia-maratona de Bilbau… O ambiente fascinou-o, porquê?
MT – Adorei! O atletismo em cadeira de rodas mesmo aqui ao lado fascina muita gente. A meia-maratona são 21 quilómetros e durante 21 quilómetros ouvi pessoas a bater palmas e a chamar pelo meu nome. O espírito é semelhante ao da Volta à Espanha em Bicicleta… Aqueles milhares de pessoas a puxar pelos atletas… No atletismo em cadeira de rodas é igual. Essa prova tem uma subida de oito quilómetros com inclinação de 10% na maior parte do percurso… E eu fiz essa subida com tanta gente a puxar por mim que tudo se tornou fácil. Vamos buscar força interior onde nem sabemos que temos…

P&S – Esse espírito é diferente em Portugal?
MT – Eu se for fazer uma meia-maratona cá em Portugal, ainda hoje as palavras que ouço é ‘coitadinho, não lhe basta estar numa cadeira de rodas e vai ali com aquele sacrifício todo…’. A verdade é que eu posso estar em sofrimento, mas é um sofrimento que me dá muito prazer. Os portugueses ainda não percebem bem esse espírito… Costumo dizer que o atletismo para pessoas com deficiência em Portugal ainda não é visto como desporto. Mas estamos a falar de alta competição! Aquilo de passatempo não tem nada.   

P&S – Criou, em 2008, a Associação Nacional de Atletismo em Cadeira de Rodas (ANACR)…
MT – Nós [a associação foi criada por Mário Trindade e por um grupo de colegas] por diversas vezes reclamamos sobre o facto desta modalidade não receber o devido apoio e reconhecimento em Portugal. Os atletas estão descontentes. A falta de informação faz com que existam poucos atletas em Portugal. Fartos de reclamar, decidimos passar à prática. A associação teve apenas uma verba do Estado: cinco mil euros do Instituto Português de Desporto e Juventude. E temos sobrevivido com as verbas dos associados… Já demos e recuperamos cadeiras a atletas… Também procuramos apoiar os atletas que competem internacionalmente com os gastos lá fora… É difícil, mas estamos confiantes no futuro por causa da união à Federação Portuguesa de Atletismo (FPA).

P&S – Concorda com a integração do atletismo adaptado na FPA?
MT – Sim porque acredito que a modalidade passará a ser olhada de outra maneira. Estou até em crer que a ANACR não precisará de continuar. Se a FPA trabalhar como tem feito até aqui, ainda que o percurso seja recente, sendo uma entidade nacional, tem condições para dar a esta modalidade no mínimo aquilo a que tem direito. Estamos no bom caminho… A inclusão das modalidades adaptadas em cada federação regular é o futuro. É assim que funciona em outros países onde os atletas estão satisfeitos.


A 3 de dezembro de 2007, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, bateu o recorde do Guinness de corrida em cadeira de rodas ao efetuar 183 quilómetros em pouco mais de 18 horas.
Teve que ultrapassar o então recorde de 181.147 quilómetros percorridos em cadeira de rodas no máximo de 24 horas.
Foi para a pista de atletismo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) às 05:00 e só saiu de lá depois de garantir dois objetivos: angariar dinheiro para ajudar duas irmãs portadoras de osteogéneses imperfeita residentes em São Miguel, no arquipélago dos Açores, e alertar as pessoas para as dificuldades vividas por pessoas com deficiência.
“Para muita gente foi o recorde do Guiness, para mim isso não foi a parte mais importante mas a vontade de ajudar duas amigas que tinham 39 anos e durante esses 39 anos não tinham saído de casa. Depois de bater o recorde ainda dei algumas voltas para garantir caso a contagem dos observadores não batesse certo com a minha e teria forças para mais, mas quis parar para que agora venha um novo tolinho fazer o mesmo, correr por um objetivo”, descreveu Mário Trindade.
Foram muitas as pessoas que durante todo o dia se deslocaram à UTAD para lhe dar apoio e na pista estiveram testemunhas independentes a fazer o registo de cada volta, cronometrando o tempo, num processo que foi previamente aprovado pelo Guinness.

 

*A Plural&Singular completa em dezembro quatro anos de vida. Ao longo do nosso percurso já publicamos 15 edições de revistas digitais trimestrais, tendo em todas elas tentado dar destaque quer à atualidade, quer às referências, marcos, efemérides e conquistas no que ao Desporto diz respeito. No entanto, lamentavelmente, não possuímos “Perfis” (rubrica que integra a secção desportiva) de boa maioria dos atletas que vão rumar ao Rio de Janeiro, Brasil, em setembro para representar as cores lusas. Estamos no entanto a tentar partilhar também no site o material relacionado com este evento que temos compilado nas revistas até ao momento, procurando com estes exemplos, reportagens, entrevistas, de alguma forma homenagear também os atletas, instituições e treinadores com os quais ainda não tivemos oportunidade de contactar. Boa sorte a todos!

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